Nem estava pensando em postar nada hoje, estava aqui, como de costume, dando uma navegada pela internet, de site em site, sem rumo certo. E dou de cara com essas pinturas, no mesmo instante abri o wordpress, sem dúvida esse cara ia ter que virar post.
Já tinha visto o trabalho dele uma vez, naquele programa da Didi, Lugar Incomum (se não estiver enganado). Ele estava com uma exposição em uma galeria na cidade de Nova York, na época já tinha achado genial o seu trabalho, mas quais eram as chances de eu conseguir lembrar o nome dele para pesquisar na internet depois?
Nascido em São Paulo. Doitschinoff apesar do nome estranho é brasileiro. Ele tem um trabalho incrível. Crítica ácida ao religioso. Mistura entre sagrado e profano, morte e tempo. Uma arte sacra transviada; mas está tudo certo, cada um tem o seu modo de ver as coisas, e todo mundo pode questionar. E para isso, nada melhor que a arte. Sem medo das críticas, fique à vontade Stephan.
Em uma pequena cidade do interior da Bahia, Lençóis, Stephan Doitschinoff fez talvez seu maior trabalho. Pintou a cidade praticamente inteira. Várias casas, túmulos e a capela do cemitério. Quem quiser conferir, é só assistir aqui em baixo esse documentário curta. Bem legal.
Australiano de Perth, Sean Morris tem um estilo escrachado, non sense. Vale pelo soco no olho. Ousado, interessante, extremamente característico, assim é o trabalho apresentado pelo cara, seu portfólio é bom e é apresentado com um layout interessante, porém com poucas obras e em tamanho extremamente pequeno, mal dá pra ver.
Aí Sean, não precisa de tanto medo das cópias, pode colocar as imagens um pouquinho maior. Há também o seu blog, com trabalhos atualizados frequentemente, além dos trabalhos, seus comentários, vale à pena; mas ainda assim, a maior parte das imagens postadas continuam em tamanho bem reduzido… assim não dá!
As ilustrações em tamanho maior que postamos aqui, tivemos que descolar em revistas especializadas em imagens, mas tudo bem, valeu o trabalho.
Brendan, traz além de arte, crítica social; às vezes sutilmente e outras vezes de forma impactante, seus trabalhos tratam de interessantes temas de nossa cultura. A reificação da mulher é um deles.
Caveiras para as marcas Mambo e Insomniac, respectivamente
A arte nos chama frequentemente para o belo, para o estético, mas é legal quando ela recorre ao seu já tradicional papel de nos abrir os olhos para questões que estão à nossa volta, estão em nosso convívio social e portanto devem ser discutidas, e não arrastadas para debaixo do tapete junto com nossa poeira de hipocrisia.
No outro lado da moeda, Keogh – como já comentamos aqui, para os outros artistas citados no blog – também dirige grande parte de sua produção para o mercado publicitário, basicamente marcas de surfe, um mundo que busca e interage com essa sua estética agressiva, questionadora e transgressora.
Tava querendo postar alguma coisa diferente aqui no blog. Achei. Não é foto, não é desenho, não é pintura, não é escultura. Esse cara faz dobraduras. Folhas brancas e simples de papel, várias dobras depois aparece a arte de Simon Schubert.
Bastante técnica de perspectiva, linhas retas, imagens detalhadas e profundidade; são basicamente essas as características desse artista. Criativo e original, ele leva a técnica de dobrar papel a um nível acima. Parabéns pra ele.
A Levi’s está com um interessante concurso cultural em andamento. É o Levi’s Be Original. Você pode mandar seu trabalho de música, fotografia, artes visuais ou texto. É criatividade solta, afinal o tema é completamente livre. Além de poderem expor seu trabalho, os artistas que se cadastram estão concorrendo a prêmios.
Agora, se você não tem qualquer habilidade para produzir, pode também participar, basta se cadastrar no site e curtir os trabalhos que estão lá, comentar os que você mais gostar, ou se quiser, descer a lenha naqueles bem toscos. É você quem sabe.
Em meio a tantos trabalhos garimpamos um, pra postar aqui no blog.
André Morbeck
Como sugestão, taí, esse designer gráfico de Goiânia-GO. Há ótimos trabalhos dele participando no concurso. E pra quem curtiu o cara, dá uma passada no site dele. Em seu portfólio, vemos imagens com cores marcantes, um estilo atual e bastante psicodelismo.
Morbeck insere seu trabalho também no meio da publicidade, algo que vem acontecendo com praticamente todos os artistas da atualidade. Quem hoje em dia compra arte? Quantas pessoas você conhece que compra ilustrações para pendurar nas paredes de suas casas, há quem compre muita réplica de pintores antigos, mas qual valor se dá para o que feito hoje? A saída para esses artistas então, torna o-se meio publicitário e editorial. Lucro pro artista, e lucro pro anunciante, que empolga seu consumidor com um grafismo de alto impacto e alta qualidade.
Trent Mitchell tem 29 anos, está situado em Burleigh, Gold Coast – Austrália.
Para quem está acostumado com as fotos tradicionais e repetitivas do mundo do surfe, Mitchell propõe uma nova perspecitiva. Ele faz fotos inusitadas, com cores improváveis e ângulos inéditos. Fugindo do mais do mesmo, Trent Mitchell mostra como o mar, as ondas, e o espírito do surfe é belo.
Ele usa bastante o preto e branco, técnica muito incomum para retratar esse universo. Porém quando usa as cores elas são intensas e vibrantes e transmitem a vivacidade desse meio do surfe.
Apesar de ser seu principal foco, não é só surfe que Mitchell fotografa. Para quem quiser conhecer, o site de Trent é uma página simples com o portfólio de algumas de suas fotos mescladas com frases sobre seu trabalho. Além do site você pode acompanhar o trabalho desse cara em seu blog, e aqui, além das fotos, você tem acesso aos comentários do fotógrafo, a experiência fica ainda mais completa.
Alexandre Orion, artista plástico, vem promovendo interessantes intervenções artísticas na cidade de São Paulo. Orion realiza em sua peça, METABIÓTICA, fotos encaixando pessoas com curiosas imagens previamente grafitadas em muros pela cidade. A imagem nos muros por si só não tem sentido completo, e para que sentido faça é necessário uma fração de segundo, o momento do clique da foto, no instante exato que um transeute qualquer passe, para que o recado pretendido por Orion seja então transmitido.
Outra intervenção sua é a OSSÁRIO, feita na passagem subterrânea entre a Avenida Europa e a Avenida Cidade Jardim. Além do belo visual traz consigo uma questão a mais; a crítica social. Interessantíssimo como Orion faz essa instalação, ele desenha caveiras humanas ao limpar a fuligem impregnada no túnel.Assim, quem passa por ali percebe que a poluição dos carros é algo sério e que não deve ser esquecido.
Policiais chegam para impedir que Orion continue desenhando, mas eles nada podem fazer, afinal ele não está cometendo nenhum crime, está só limpando a sujeira do túnel. Sem poder vencê-lo a prefeitura leva mangueiras e une-se a ele, limpando as paredes do túnel da fuligem.
Quem visitar o site de Alexandre Orion vai poder curtir ainda a insatalação feita no Sesc que nos chama a discutir o valor dos espaços públicos que temos em nossa cidade.
Esse ilustrador, de Mogi das Cruzes – SP, vem fazendo sucesso no cenário da publicidade. Já trabalhou para agências como a W/Brasil, LewLara/TBWA, AlmapBBDO, entre outras. Fora da publicidade ele tem passagens pelos quadrinhos (Marvel Comics, DC comics), ou ilustrando revistas.
Em seu portfólio vemos temas como o rock, mulheres sedutoras e a cidade.
Will Murai gosta de imagens com muita informação, várias pessoas, cada uma com um apelo e estilo próprio, um caldeirão em que podemos perceber a grande mistura de tipos, objetos e situações que caracterizam os grandes centros urbanos. Cores fortes e escuras, presença de várias camadas e sobreposições compõem tal ideia em seu trabalho. Ele mistura o provável e o improvável, o belo e o grotesco, e nessa fusão consegue exprimir o que ele vê à sua volta.
A mulher na obra de Murai aparece dominadora e bastante sedutora. Esqueça aquela antiga visão da mulher submissa, encolhida e pintada em tons pálidos. Cores quentes, fortes e marcantes são a tônica de sua expressão. E são essas cores quentes que trazem à tona o marcante apelo sexual, tema recorrente para o artista.
Sem dúvida um ilustrador com um trabalho interessante e consistente. Vale à pena conhecer e conferir.
Desenho à mão ou no computador. Pintura à óleo ou com aquarela. Foto colorida ou em preto e branco. Para museu, livro, revista ou gibi. Arte e artista. Tudo aqui, em um Mundo de Imagens.